Tenho saudade daquela amiga.
Ou do que eu imaginava dela,
de nós.
Para usar melhor o português: nostalgia.
Uma bela frase do Cazuza encolhia tudo nosso,
- Eu protegi o teu nome por amor.
Eu sempre acreditei naquilo. Amar incondicional, ser bondade, usar as garras para defender o outro e nada mais. Era o que nós e o mundo precisávamos.
Uma hora nos perdemos, e as minhas arrogâncias; meu orgulho; o meu medo opressor, filho do machismo asqueroso que nos cerca, me fizeram virar as costas pra ela.
Só depois, quando aconteceu parecido comigo, eu entendi.
Aquelas pessoas à nossa volta eram doentes, e não somos obrigadas, nem um minuto, a conviver com elas. Eu ainda estou aprendendo, depois de alguns anos das feridas mais chorosas, que ser mulher e grande significa perder o menor tempo possível remoendo ódio, especialmente das marcas mais doídas.
Entendi, nesse meio tempo, afinal qual era a graça nos tantos livros que ela lia e me apaixonei por eles.
Logo eu descobri, os diários que ela escrevia em cadernos universitários de duzentas folhas não eram só coisa de adolescente. Tem um espaço público onde posso me encontrar com ela como se fossemos só nós duas de novo.
As letras unem corações, mesmo sem as pessoas saberem.
Se eu pudesse, diria tudo a ela; de como muito mudou, de como tenho ganhado da vida adulta a serenidade que sempre sonhamos. Só boas notícias e gratidão!
alguém me indicou esse caminho e achei esse texto muito, muito bonito. A vida sempre com boas surpresas.
ResponderExcluirPrimeiro eu fiquei sem ar. Depois, agradecida ao Universo e suas artimanhas!
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