Meus dias por aqui
assim, um de cada vez,
passam com bons olhos.
Fotografo
o brilho das falas
a melodia das ruas
aquele cheiro de maré
a alegria pelos cantos.
Nas molduras reveladas
ainda que veladas
Palpita a forma
de que mais e menos gosto
Do que é entrelinha e não se repete
Do que é livre e não enfastia
Mas também não assegura
não dá jeito de suspiro
Mesmo nublado é encanto
Mesmo frio o vento é bom
É bom de reparar os sinais
os gestos miúdos
as sutís entregas.
E separar o que é do que parece,
quando longe do papel, do imaginário,
é uma tarefa-brincadeira
que mostra a vida:
caixa decorada em cores,
em pátina, em fotos
Cheia de belas novidades
tardes, pessoas, lugares.
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