Foi então que o homem barbado segurou os cabelos da trapezista com as duas mãos como se fossem um ramalhete de flores muito preciosas, trouxe para bem perto do rosto e com toda vontade do mundo quis guardar aquele cheiro a sete chaves.
Como se nunca mais pudesse estar ali.
Ela, que mal podia respirar, preferia ficar imóvel, de costas, notando cada segundo daquele afeto. Quando não sentia mais os pés no chão, despertou num sobressalto e foi embora estonteada.
Nos dias seguintes se pintou de displicência e fez de conta que o mundo era o mesmo.
Veio a nova temporada de espetáculos, e num picadeiro colorido de vermelho antigo fez-se a luz. Amarela, branda, exata. Do lado de fora, a chuva. Torrencial, bruta, necessária.
Sem público, sem aplausos, numa dança delicada e forte eles flutuaram.
Aconteceu um encaixe preciso, como se o ensaio de tantos anos tivesse de ser honrado com a perfeição.
A menina das acrobacias olhou em volta, viu que tudo estava no lugar, e mesmo perturbada, quis confiar no seu guardião.
Tinha perfume, tinha um desenho de uma trama em preto pontilhado, e braços torneados para envolver o que fosse preciso. Logo ela se lançou corajosa das alturas e mergulhou naqueles desfiladeiros muito parecidos com os olhos castanhos que ele descrevera tempos atrás. Porque agora não existia mais desequilíbrio, eles estavam no mesmo pé. Na mesma entrega.
Ela solta da barra e passeia no ar. O seu corpo magicamente transformado num satélite capaz de sentir cada parte tocada pelo vento. A pele confundida num abraço demorado, num rio de suor. O som da liberdade nua e crua. O gozo sem fim. O olhar de contemplação. O nunca antes conhecido.
Tudo isso ressoava como música nos ouvidos da alma e fazia do corpo um baile.
Ele disse que ela era bonita, que carregava um poder nos poros.
E quando descansavam beijou-a macio e minucioso. Quis pensar que havia algum mistério ali, mas ela simplificou:
- É porque sou eu.
Tinha perfume, tinha um desenho de uma trama em preto pontilhado, e braços torneados para envolver o que fosse preciso. Logo ela se lançou corajosa das alturas e mergulhou naqueles desfiladeiros muito parecidos com os olhos castanhos que ele descrevera tempos atrás. Porque agora não existia mais desequilíbrio, eles estavam no mesmo pé. Na mesma entrega.
Ela solta da barra e passeia no ar. O seu corpo magicamente transformado num satélite capaz de sentir cada parte tocada pelo vento. A pele confundida num abraço demorado, num rio de suor. O som da liberdade nua e crua. O gozo sem fim. O olhar de contemplação. O nunca antes conhecido.
Tudo isso ressoava como música nos ouvidos da alma e fazia do corpo um baile.
Ele disse que ela era bonita, que carregava um poder nos poros.
E quando descansavam beijou-a macio e minucioso. Quis pensar que havia algum mistério ali, mas ela simplificou:
- É porque sou eu.
O amor se travestiu de carne, se tornou concreto, palpável, real.
Rita acordou assustada. Além do caso de amor circense, sonhou que tinha morrido e depois que alguém a ressuscitou. Alguém capaz de fazer todas as previsões virarem verdade.
Não conseguiu mais dormir, nem comer, nem parar de pensar.
Rita estava de volta à vida.
Não conseguiu mais dormir, nem comer, nem parar de pensar.
Rita estava de volta à vida.
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