02 setembro 2011

em Setembro

- Eu machuquei o dedo.
E de um jeito não muito doce, caí lá de cima. Prá variar, despenquei de cara no chão do meu mundo onde (nem) tudo são flores. Coisa de quem "salta além da extratosfera"...
Sabe como é né?
Era o anelar e doeu. Doeu de não chorar! Porque era na alma. Bem, ao menos parecia.
Depois eu vi que doía na carne, e que só foi de chorar quando eu abri porta pro ruim da queda. Sabe? Quando você até acha que não é nada, sente mais nervoso do que tristeza, mas depois pensa em todo mundo olhando se enche de vergonha? Foi assim.
Eu acho que não devia ficar acontecendo tanto.
Era perto do meu aniversário (só Deus sabe como eu adoro meu aniversário!).
Na hora da raiva eu até imagino que algum espírito de porco se diverte em cortar os pezinhos da minha escada, ou o rabinho do meu tecido, a molinha da minha cama elástica. Mas depois eu suponho que tem um hieroglifo misterioso por trás dessa brincadeira.
Sim, isso mesmo. Uma escrita sagrada, recheada de simbolismo divino, de sabedoria antiga, na minha interpretação: carinho de quem mais ama velando as minhas piruetas.
- E agora?
- Eu enjoei um pouco daquela lona. Ela desbotou. Não gosto de cinza, e quando faz doer, fica cinza para mim. Quem sabe ela volta a ter cor...
- Mas e agora?
- E agora o que?
- Como você faz?
- Eu volto, sento ali na grama, que é pra achar bom de ficar, me ocupo com as trinta mil coisinhas hipnotizantes e espero melhorar. Porque vai ver era prá lembrar que eu não preciso de lona nenhuma para "beijar as nuvens" com arquicambalhotas, hipercampalhotas.
E bravo! Bravo!

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